Viver - V.I.
Acho
que a pior coisa que fizeram foi transformar vida em verbo. Antes da vida, tudo
era verbo; e o que se faz quando o verbo passa?
Verbo intransitivo: viver. Maldição! Por que fizeram isso?
Verbo intransitivo: viver. Maldição! Por que fizeram isso?
Quando
a vida era apenas vida, sem ação, era linda. Os jardins eram verdes, as nuvens
azuis, mas os jardins eram jardins e as nuvens, nuvens – tudo dentro de sua
concepção de ser, da sua essência, sem viver.
A morte, enquanto a vida não era verbo, não
corria risco de morrer. Agora, tudo vive, tudo morre, tudo é verbo intransitivo
– sem complemento, sem mais. Não se transita para o outro lado; mas qual o
problema disso? É como se pode deduzir
se o que deduz também é descrente.
Mas
acreditar sempre foi verbo, viver não. Estava-se vivo, não se vivia, assim como
não se morria. É clichê, é redundante, entretanto não é vivo. Por que estou
focando tanto no fato de a vida se tornar verbo não dar mais a chance de viver
e não proponho uma solução? Porque não há solução que complemente a vida.
Para dar mais sentido à vida em
verbo, hoje, você precisa de algo mais: de advérbios. Mas não qualquer
advérbio, tem de ser um advérbio de modo, ou intensidade; se não for, não vale
a pena complementar o viver.
Todos venham!, se esforcem! Vamos
complementar o viver! Por que apenas viver não tem graça, precisamos de algo
mais, porque a vida em si, não é boa, é necessário ser feliz, ser triste, viver
muito, ou pouco, mas viver complementado.
Que
saco! Qual o problema de se viver complementado? Por que a vida sem ação era
melhor que acionada?
-Simples, porque a vida era eterna. – não era sem
complemento, sem.


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