Viver - V.I.

20:42 P.H. Dalboni 0 Comentarios


                Acho que a pior coisa que fizeram foi transformar vida em verbo. Antes da vida, tudo era verbo; e o que se faz quando o verbo passa?

Verbo intransitivo: viver. Maldição! Por que fizeram isso?

                Quando a vida era apenas vida, sem ação, era linda. Os jardins eram verdes, as nuvens azuis, mas os jardins eram jardins e as nuvens, nuvens – tudo dentro de sua concepção de ser, da sua essência, sem viver.

 A morte, enquanto a vida não era verbo, não corria risco de morrer. Agora, tudo vive, tudo morre, tudo é verbo intransitivo – sem complemento, sem mais. Não se transita para o outro lado; mas qual o problema disso?  É como se pode deduzir se o que deduz também é descrente.

                Mas acreditar sempre foi verbo, viver não. Estava-se vivo, não se vivia, assim como não se morria. É clichê, é redundante, entretanto não é vivo. Por que estou focando tanto no fato de a vida se tornar verbo não dar mais a chance de viver e não proponho uma solução? Porque não há solução que complemente a vida.

Para dar mais sentido à vida em verbo, hoje, você precisa de algo mais: de advérbios. Mas não qualquer advérbio, tem de ser um advérbio de modo, ou intensidade; se não for, não vale a pena complementar o viver.

Todos venham!, se esforcem! Vamos complementar o viver! Por que apenas viver não tem graça, precisamos de algo mais, porque a vida em si, não é boa, é necessário ser feliz, ser triste, viver muito, ou pouco, mas viver complementado.

                Que saco! Qual o problema de se viver complementado? Por que a vida sem ação era melhor que acionada?



-Simples, porque a vida era eterna. – não era sem complemento, sem.

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